
Há quem atribua aos romanos a fundação da primitiva povoação mas,
sabe-se, que o território foi alvo de ocupação humana desde o Neolítico,
conforme comprovam diversos achados arqueológicos (machados e facas de
pedra lascada e polida, numerosas antas, etc.…). Sem dúvida, os romanos
permaneceram neste território. Por Cabeço
de vide passava uma estrada
subsidiária da importante via militar romana que ligava Lisboa a Mérida.
Vinda de Alter Pedroso, aquela estrada secundária passava no alto de
Cabeço de Vide, descia à Ribeira de Vide por um troço do qual ainda restam
vestígios e servia as Termas da Súlfurea.
Segundo a tradição, a primeira fundação da localidade foi no sítio do
Pombal. Escreve António Novais (1635), “havia uma povoação onde, por
ocasião de uma batalha, ficaram por enterrar muitos mortos do que resultou
uma peste; alguns feridos subiram ao cabeço do outeiro e assim que
respiraram os ares puros logo cobraram a saúde; vendo isto, os que ficaram
em baixo foram subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali por diante
Cabeço da Vida”.
Diz ainda o autor da “Relação do Bispado de Elvas”: “ No alto havia um
zambujeiro, com uma parreira que trepava por ele e com as suas vides e
rama faziam sombra onde se acolhiam enfermos e convalescentes.
Despovoado o sítio do Pombal e edificada a vila nesse lugar, lhe chamam
Cabeço da Vida e pelo tempo em diante Cabeça da Vide”.
Estas duas versões acabaram por determinar o topónimo actual.
No ano de 1160, D. Afonso Henriques conquistou a povoação aos
árabes e reconstruiu-a no alto do cabeço para melhor se defender dos
inimigos.
Em 1 de Julho de 1512, D. Manuel I concede foral novo a Cabeço de
Vide, que se constituiu em sede de concelho.
Em pleno século XIX, as Invasões Francesas, depois, a Guerra Civil que
terminou com a derrota dos absolutistas, em 1834; a fome e outras
privações contribuíram para que, em 24 de Outubro de 1855, Cabeço de
Vide
deixasse de ser concelho. Foi, então, integrado como freguesia no
concelho de Alter do Chão. Manteve-se nesta situação até 21 de Dezembro
de 1932, data em que transitou para o de Fronteira.
Conforme dados dos últimos censos, actualmente, Cabeço de Vide tem
uma população de 1072 habitantes.
Actividades económicas: Cabeço de Vide é um meio rural, com uma
população bastante envelhecida.
Antigamente a população activa dedicava-se principalmente à
agricultura. Actualmente as principais entidades empregadoras são as
Termas da Súlfurea, a Santa Casa da Misericórdia e os cursos de formação
promovidos pelos organismos competentes.
Património edificado:
Arquitectura tradicional da zona
histórica: edifício
dos antigos Paços do Concelho, cruzeiro, castelo, pelourinho, fontes da Bica,
do Borbolegão, Nova e Zambujo, Anta da Serra da Pena e troço da via
romana. Igrejas Matriz e do Espírito Santo; capelas da Misericórdia, do
Calvário e de Nossa Senhora dos Anjos, ruínas da capela de nossa Senhora
do Carmo e do Santo Mártir.
Locais de interesse turístico: Termas da Súlfurea, turismos de habitação,
zonas piscatórias da Ribeira da Vide e Vidigão.
Colectividades: Grupo Desportivo Vidense e Rancho Folclórico de Cabeço de
Vide.